24 de Agosto de 1954: História, tentativa de golpe militar e morte de Getúlio Vargas.


“Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia, não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.”
Carta Testamento de Getúlio Vargas (1954)
           
 Hoje completa 58 anos da morte de um presidente mais queridos da população brasileira. O segundo mandato presidencial Getúlio Vargas, em 1950, herdara de seu antecessor, Eurico Dutra, um Brasil com grandes dificuldades econômicas e desequilíbrio financeiro no setor público. Apesar da crise Vargas volta ao poder pelo voto, mas isso não fora o suficiente, pois, teve uma oposição ferrenha com quem tinha dificuldades de negociar.

Carlos Lacerda, opositor udenista de Getúlio em 1950.
Os ataques ao seu governo vinham tanto da direita sobre a liderança de Carlos Lacerda (UDN) e da esquerda sobre o comando de Luís Prestes (PCB). Existiam dois projetos em disputa pelo poder político, de um lado os liberais-conservadores, que não concordara que o ditador do Estado Novo estivesse voltado ao poder pelo voto, usaram diversas maneiras para ataca-lo e insultá-lo. Qualquer atitude de Vargas era visto com desconfiança por este grupo conversador. O outro era o getulismo-trabalhismo que tinham no Nacionalismo e na industrialização as bases políticas para o futuro do Brasil. 

            Os liberais que não concordara em perder as eleições de 1945 e também em 1950, para a coligação PSD-PTB tiveram como estratégia política em relação ao governo Vargas que era de desqualifica-lo para escamotear seu próprio infortúnio político, segundo Jorge Ferreira. O conflito entre os udenistas e os getulistas foi polarizado nas crises que o governo Vargas (1950-1954) sofrera, tendo as forças armadas como uma mediadora do conflito político. Para os udenistas a questão central era tirar Getúlio Vargas do poder e não importasse os custos dessa “vitória”.

Carlos Lacerda, opositor udenista de Getúlio em 1950.
O atentado da Rua Toneleros teve o destino político de Getúlio Vargas traçado, quando a mando do chefe de segurança, Gregório Fortunato, através de capangas mandou matar o udenista Carlos Lacerda. O presidente embora não sabendo das intenções criminosas de Fortunato teve que assumir as consequências políticas. O aumento a intensidade de ataques ao presidente por parte do jornal “O Globo” tornou-se intensas. O militar atingido no atentado o major Rubens Vaz tornou-se o maior símbolo da luta contra o “mal”, lembra o historiador Jorge Ferreira. O caso Toneleros despertou nas elites conservadoras uma reação estratégica politicamente contra o governo Vargas, que não exigiam mais eleições e sim a renúncia do presidente da República. 

            Os militares em reuniões estavam indignados com a situação de crise política e propalavam o golpe na democracia brasileira. Diante deste fato, o governo Vargas estava em uma situação delicada. Sem muitos argumentos contra as acusações e denúncias o presidente da República pressentia o golpe que estava armado. No dia 22 de Agosto, o presidente recebeu das mãos do brigadeiro da Aeronáutica o pedido de renúncia. 

            Na manhã do dia 24 de Agosto de 1954, Vargas presidiu a sua última reunião ministerial. O ministro da Guerra Zenóbio, argumentara que a situação do presidente estava difícil perante a oficialidade da Aeronáutica e da Marinha. As alternativas políticas eram mínimas para o presidente da República, ou seja, renunciava o poder, o que geraria a sua desmoralização política, ou seria deposto por um golpe militar. A crise de Agosto de 1954 estava instalada no governo. 

            Antes de se deitar o presidente entregou um envelope a João Goulart, pedindo que em caso de necessidade, fosse para o Rio Grande do Sul e mostrasse o conteúdo de carta à imprensa gaúcha. Mais tarde, sua filha Alzira ouvira um estampido de um tiro. Vargas estava morto. Sobre um móvel do quarto, Amaral Peixoto encontrou uma carta, logo nomeada de Carta-Testamento. A que estava com Goulart era uma cópia, duas horas depois o país tomava conhecimento sobre a morte do presidente conhecido como “pai dos pobres”. 

Incêndio ao Jornal O GLOBO, Agosto de 1954.
Na capital da República a morte do presidente detonou na população um profundo sentimento de revolta e amargura. Houve comoção popular e grupos de populares indignados passaram a percorrer as ruas do centro da cidade carioca com paus e pedras. O rancor era visível contra qualquer político de oposição ao governo varguista. Os candidatos da UDN sofreram as maiores perseguições. O prédio de O Globo foi cercado por uma multidão que tentou invadir suas dependências, apedrejaram a fachada, cercaram dois caminhões e os incendiaram. A edição do jornal Tribuna da Imprensa foi queimada. Os jornais A Notícia e O Mundo também sofreram investidos da população revoltada. O único que não teve pressões populares foi o jornal A Última Hora. Várias pessoas saíram feridas deste confronto. Houve manifestações em outras capitais em relação à morte de Vargas. Somente no dia seguinte é que a população diminuíra a intensidade dos ataques com a partida do caixão de São Borja.

Comoção popular pela morte de Vargas
            O suicídio de Vargas não era esperado pelos conservadores, foi uma surpresa para os que acreditavam que haveria uma crise institucional. A morte de Getúlio Vargas simboliza a ideia frustrada da oposição de tomar o poder de 54, pois, a tentativa era desmoralizar o presidente e acirrar a crise para que ele renunciasse e abrisse caminho para a intervenção militar no país. Os golpistas paralisaram a tentativa de golpe em 54 diante da morte de Vargas, pois, estava surpreso e atemorizado, O golpe era inviável e o que se esperava naquele momento difícil para a sociedade brasileira era prudência política.
            
 A crise de Agosto de 1954 pode ser interpretada como um dos momentos políticos de limites da democracia brasileira, onde os grupos conservadores mais radicalizados agiram no seio da sociedade brasileira. Eles não estavam conformados com as conquistas sociais personificadas na figura de Vargas. No entanto, Jorge Ferreira afirma que a sociedade brasileira não conseguiu naquele momento captar a mensagem dos políticos conservadores que queriam romper com as regras do jogo democrático e instalar o golpe militar.

Referências
FERREIA, Jorge. “Crises da República: 1954, 1955 e 1961”. In: FERREIRA, Jorge, DELGADO, Lucília de Almeida Neves (Orgs). O tempo da experiência democrática: da democratização de 1945 ao golpe civil-militar de 1964. v 3. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

1 comentários:

  1. Creio que a referencia bibliografica plagiou a obra de Thomas Skidmore: esse viés de explicacao esta contido em sua famosa coletanea sobre os governos brasileiros, de Getulio a Castelo e de Castelo a Tancredo. abrcs

    ResponderExcluir

Blogger Template Mais Template - Author: Papo De Garota