MST lembra massacre no Pará e fecha rodovias em vários pontos do País

Com ações em 17 Estados do País, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) continua mobilizado nesta terça-feira (17) em seu Abril Vermelho, jornada de lutas realizada todos os anos para lembrar os 21 mortos deixados pelo massacre de Eldorado dos Carajás, que completa hoje 16 anos.

O movimento deflagrou nesta segunda (16) uma série de ocupações de terra simultâneas. Os trabalhadores também fecharam rodovias e tomaram sedes de órgãos públicos, entre elas o prédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, e o Palácio da Abolição, sede do governo do Ceará, em Fortaleza.

Segundo balanço divulgado pelo próprio MST, são 38 ocupações de terra, nove ocupações de escritórios regionais do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e cinco protestos em prédios públicos.


Em Alagoas, 16 rodovias foram interditadas. Em Pernambuco, mais de 2.500 trabalhadores fecharam 15 pontos das principais rodovias de acesso ao Estado, onde seis fazendas estão ocupadas. Foram trancadas 14 estradas, incluindo a ponte que liga as cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). 


Em São Paulo, cerca de 100 integrantes do MST fecharam as pistas da rodovia Anhanguera e pararam o trânsito nos dois sentidos na região de Cajamar, perto de São Paulo. 

De acordo com a concessionária Autoban, empresa que administra a rodovia, o protesto começou por volta das 8h e durou cerca de meia hora. O fechamento causou um congestionamento de três quilômetros nas duas pistas.

Há também 13 pontos bloqueados em rodovias de Sergipe.

Na Bahia, aproximadamente 3.000 mil manifestantes montaram acampamento na frente da sede do Incra. Além disso, 24 fazendas foram ocupadas desde o começo do mês.

No Rio Grande do Sul, 300 famílias de Sem Terra fizeram duas ocupações. As áreas ficam nos municípios de Sarandi e Santa Margarida do Sul (que tem 950 hectares estão em processo de desapropriação há mais de três anos).

Além de protestar contra a impunidade no caso de Eldorado dos Carajás — 16 anos depois, nenhum acusado pelas mortes está preso —, o MST cobra o assentamento de 186 mil famílias que estão acampadas neste momento em todo o País.

Outras reivindicações são a melhora da infraestrutura dos assentamentos, com políticas de educação e saúde no campo, o combate ao uso de agrotóxicos nas lavouras, políticas de combate à pobreza, apoio a um novo modelo de produção e o veto da presidente Dilma Rousseff à reforma do Código Florestal.

Vigília

Em Brasília, está marcado para as 17h30, na Câmara dos Deputados, um ato público em lembrança das vítimas de Eldorado dos Carajás. 

Haverá também uma vigília diante do STF (Supremo Tribunal Federal). Serão colocadas diante do prédio 500 cruzes.

No dia 17 de abril de 1996, 19 sem-terra foram mortos quando a Polícia Militar do Pará recorreu à força para desobstruir um trecho da rodovia PA 150, conhecido como “curva do S”, no município de Eldorado dos Carajás, a cerca de 750 quilômetros de Belém. 

Outras duas vítimas faleceram depois, por não resistirem aos ferimentos causados pela repressão.

Para lembrar os mortos, a juventude do MST iniciou, no dia 8 de abril, a sétima edição de um acampamento realizado anualmente em Eldorado dos Carajás. Todos os dias, os participantes fecharam a rodovia BR-155 durante 21 minutos. Como encerramento das atividades, está programado para hoje um ato político na “curva do S”.

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