A constituição do patrimônio portuário de Belém - parte 1

A 12 de janeiro de 1616, pelas mãos do colonizador português, nasce a cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará, através da fundação do fortim do Presépio, numa posição estratégica para a defesa do vale amazônico, em um pontal de terra firme e elevada à margem direita do rio Guamá e à direita do rio Pará. Nesse primitivo vilarejo surge o “porto da praia”, localizado em frente à baía do Guajará, à margem esquerda do igarapé do Piry, nas proximidades da atual doca do Ver-o-Peso.

Em meados do século XVII, Belém já configura sua estrutura urbana com dois “bairros”: o da Cidade e o da Campina; o primeiro compreendendo o conjunto urbano formado a partir da fortaleza e da Praça Matriz e o último localizado numa área mais afastada e menos alagada, na margem direita do canal de drenagem do alagado do Piry onde os colonos se firmaram para iniciar a plantação de baunilha e cacau e onde se estabeleceram os capuchinhos da ordem de Santo Antonio, em 1626 (Penteado, 1968).

Ligados por uma ponte estiva, os dois bairros foram, com os contínuos processos de aterramento, ligados por uma via terrestre denominada de Rua dos Mercadores (atual Conselheiro João Alfredo), que ia até o largo onde a ordem dos mercedários levantou seu convento em 1640. Com o passar do tempo, a Rua dos Mercadores passa a atrair grande parte dos comerciantes locais, transferindo o desembocadouro principal da margem esquerda para a margem direita do igarapé do Piry (Penteado, 1972).

Ao longo dos primeiros anos de ocupação, a cidade diversifica suas atividades e transforma o seu primitivo núcleo de defesa em centro comercial e porta de entrada de colonos portugueses. O porto de Belém cresceu, assim, testemunhando o desenvolvimento da cidade, enviando as riquezas da Amazônia para terras distantes e recebendo viajantes, exploradores, contrabando, escravos, informações, costumes e ideologias de outras terras.

O porto de Belém apresenta uma ancestralidade comum a outros portos antigos: a fortaleza incorporada. Antigas fortalezas como a de São Pedro Nolasco e o Reduto de São José, que estavam inseridas na área de afluência portuária, foram demolidas ao longo do século XIX[7], tendo em vista o novo contexto de relativo liberalismo econômico, após a abertura dos portos, em 1808.

A partir daí, no litoral da baía do Guajará, proliferavam trapiches de companhias de navegação que eram constantemente reconstruídos (Penteado, 1972). As vias de escoamento ainda eram incipientes. A aglomeração de repartições, de logradouros públicos, de estabelecimentos comerciais e de serviços acabou por atrair inúmeras sedes de empresas, formando no local uma expressiva concentração de negócios dos mais diversos tipos, que auxiliou na desorganização do centro urbano.

Artigo publicado no site historiahistoria.com.br

Porto Submerso: desafios para o patrimônio portuário de Belém-PA no século XXI - Parte 1
por Luciana Martins Furtado

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