Um dia para não repetir


Embora os dias tenham rigorosamente as mesmas quantidades de horas, minutos e segundos, sendo fisicamente iguais em si, todos eles guardam diferenças simbólicas que os tornam especiais. Alguns causam grandes emoções, representando datas queridas e inesquecíveis, como os aniversários de nascimento, namoro, primeiro beijo ou casamento. Outras ingressam definitivamente em nossa mente por marcarem episódios tristes, não raro a morte de algum ente querido ou o rompimento com a pessoa amada.
As datas simbólicas não se contentam apenas com a vinculação aos atos intimistas ou àqueles típicos do quintal individualista. Elas também interagem de tal forma com o sentimento coletivo de um povo, que é até difícil imaginar a história do mundo sem que elas existissem. Neste rol estariam, dentre outras, as datas comemorativas das lutas pela independência de uma nação, o massacre violento de pessoas, uma revolução que se instala ou até o martírio de um povo.
Neste contexto, não poderiam passar desapercebidas datas patrióticas como o 7 de setembro dos brasileiros, o 4 de julho dos estadunidenses, o 1º de julho dos revolucionários franceses. Também bem ilustram o time o 1º de maio dos trabalhadores, o 8 de março das mulheres, o 17 de outubro dos comunistas e, como não poderia deixar de ser, o famoso 25 de dezembro dos cristãos. Aliás, a própria Igreja Católica sempre presenteou os fiéis com várias datas dedicadas aos santos defensores de seus ideais, várias delas estrategicamente transformadas em feriados oficiais.
O quadragésimo oitavo aniversário do Golpe Militar de 31 de março, que ocorrerá neste sábado, fará o brasileiro lembrar uma dessas datas emblemáticas na história de um povo, ainda mais quando simboliza um pensamento que perdurou por longos e tenebrosos anos. Foram dias em que a força bruta governava e paralisava toda uma nação, fazendo adormecer os sonhos de uma geração que ansiava reformar a velha e conservadora sociedade brasileira. Fora a época em que calaram os brasileiros que apenas desejavam, “sem lenço ou documento”, viver em um país democrático, em que o acesso à educação e ao uso produtivo da terra fosse um direito de todos.
Era o tempo em que imperava o medo. O medo de exprimir o mais simples dos pensamentos. O medo de não ser denunciado por apenas ler um livro ou gostar de determinada música. O medo até de dizer que se tinha medo. Eu, que era apenas uma criança de dois anos de idade, também fui convencido a viver com medo. Não o medo do Capitão Gancho, Cuca, Maga Patológica, Coringa, Lobo Mau, Lex Luthor, Duende Verde ou outros vilões do mundo da ficção. Mas, sobretudo, o medo de ser devorado pelos “Papas-Fígados” e “Comedores de Criancinhas, como eram chamados os “vilões-comunistas”. E quem não tinha medo podia parar em um desses calabouços oficiais que escondiam um envergonhado submundo de torturas, prisões clandestinas e “desaparecidos” escondidos pela própria máquina estatal. Se tivesse mais sorte, podia fugir do país, viver clandestino, ser deportado ou trocado por algum embaixador sequestrado. Como resultado de tantos medos e ausências, gerações e idéias perderam-se nos escaninhos da História, nunca mais sendo recuperadas.
Na época do “milagre econômico” era pegar ou largar, ou melhor escrevendo, amar ou deixar o país. Deixar era uma forma de dizer, pois nesta época os governantes militares adoravam também conjugar o verbo entregar. E sem qualquer explicação lógica, entregavam as riquezas brasileiras a multinacionais, paradoxalmente aumentando as dívidas externas.
Quarenta anos e oito anos depois, o Brasil vive em pleno regime democrático, inclusive elegendo uma ex-presa política, Dilma Rousseff, como presidenta da República. Hoje, em suas várias instâncias políticas, situação ou oposição, destacam-se executivos, magistrados e parlamentares que, em geral, foram perseguidos ou não colaboraram diretamente com o regime militar. Contudo, ainda não dá para cantar vitória, pois ainda permanece ativa parte do entulho moral autoritário que tanto atormentou os brasileiros, sequer permitindo que a sociedade saiba o que ocorrera no submundo da ditadura militar.
E é esta parte que continua a impedir que o Brasil se torne uma nação em paz com a sua própria consciência. É este pedaço oculto que continua impondo o medo a uma nação que quer virar uma das páginas mais cruéis de sua História. É esta porção que sobrevivia nos porões submersos – negados pelo próprio regime militar – que boicota, aterroriza e confunde o brasileiro chamando de revanchismo o sagrado Direito à Memória e à Verdade. É este pequeno grupo que faz – em causa própria – a anistia ser sinônimo absurdo de amnésia. Eis porque é importante lembrar do Golpe Militar de 1964, pois o dia 31 de março jamais deve ser esquecido, para que nunca seja repetido.
SOBRE O AUTOR
Cezar Britto
* Advogado, integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e preside a Comissão de Relações Internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Foi presidente do Conselho Federal da OAB e da União dos Advogados de Língua Portuguesa (Ualp). Mantém perfil no Twitter no endereço @cezar_britto.

Um dia para não repetir


Embora os dias tenham rigorosamente as mesmas quantidades de horas, minutos e segundos, sendo fisicamente iguais em si, todos eles guardam diferenças simbólicas que os tornam especiais. Alguns causam grandes emoções, representando datas queridas e inesquecíveis, como os aniversários de nascimento, namoro, primeiro beijo ou casamento. Outras ingressam definitivamente em nossa mente por marcarem episódios tristes, não raro a morte de algum ente querido ou o rompimento com a pessoa amada.
As datas simbólicas não se contentam apenas com a vinculação aos atos intimistas ou àqueles típicos do quintal individualista. Elas também interagem de tal forma com o sentimento coletivo de um povo, que é até difícil imaginar a história do mundo sem que elas existissem. Neste rol estariam, dentre outras, as datas comemorativas das lutas pela independência de uma nação, o massacre violento de pessoas, uma revolução que se instala ou até o martírio de um povo.
Neste contexto, não poderiam passar desapercebidas datas patrióticas como o 7 de setembro dos brasileiros, o 4 de julho dos estadunidenses, o 1º de julho dos revolucionários franceses. Também bem ilustram o time o 1º de maio dos trabalhadores, o 8 de março das mulheres, o 17 de outubro dos comunistas e, como não poderia deixar de ser, o famoso 25 de dezembro dos cristãos. Aliás, a própria Igreja Católica sempre presenteou os fiéis com várias datas dedicadas aos santos defensores de seus ideais, várias delas estrategicamente transformadas em feriados oficiais.
O quadragésimo oitavo aniversário do Golpe Militar de 31 de março, que ocorrerá neste sábado, fará o brasileiro lembrar uma dessas datas emblemáticas na história de um povo, ainda mais quando simboliza um pensamento que perdurou por longos e tenebrosos anos. Foram dias em que a força bruta governava e paralisava toda uma nação, fazendo adormecer os sonhos de uma geração que ansiava reformar a velha e conservadora sociedade brasileira. Fora a época em que calaram os brasileiros que apenas desejavam, “sem lenço ou documento”, viver em um país democrático, em que o acesso à educação e ao uso produtivo da terra fosse um direito de todos.
Era o tempo em que imperava o medo. O medo de exprimir o mais simples dos pensamentos. O medo de não ser denunciado por apenas ler um livro ou gostar de determinada música. O medo até de dizer que se tinha medo. Eu, que era apenas uma criança de dois anos de idade, também fui convencido a viver com medo. Não o medo do Capitão Gancho, Cuca, Maga Patológica, Coringa, Lobo Mau, Lex Luthor, Duende Verde ou outros vilões do mundo da ficção. Mas, sobretudo, o medo de ser devorado pelos “Papas-Fígados” e “Comedores de Criancinhas, como eram chamados os “vilões-comunistas”. E quem não tinha medo podia parar em um desses calabouços oficiais que escondiam um envergonhado submundo de torturas, prisões clandestinas e “desaparecidos” escondidos pela própria máquina estatal. Se tivesse mais sorte, podia fugir do país, viver clandestino, ser deportado ou trocado por algum embaixador sequestrado. Como resultado de tantos medos e ausências, gerações e idéias perderam-se nos escaninhos da História, nunca mais sendo recuperadas.
Na época do “milagre econômico” era pegar ou largar, ou melhor escrevendo, amar ou deixar o país. Deixar era uma forma de dizer, pois nesta época os governantes militares adoravam também conjugar o verbo entregar. E sem qualquer explicação lógica, entregavam as riquezas brasileiras a multinacionais, paradoxalmente aumentando as dívidas externas.
Quarenta anos e oito anos depois, o Brasil vive em pleno regime democrático, inclusive elegendo uma ex-presa política, Dilma Rousseff, como presidenta da República. Hoje, em suas várias instâncias políticas, situação ou oposição, destacam-se executivos, magistrados e parlamentares que, em geral, foram perseguidos ou não colaboraram diretamente com o regime militar. Contudo, ainda não dá para cantar vitória, pois ainda permanece ativa parte do entulho moral autoritário que tanto atormentou os brasileiros, sequer permitindo que a sociedade saiba o que ocorrera no submundo da ditadura militar.
E é esta parte que continua a impedir que o Brasil se torne uma nação em paz com a sua própria consciência. É este pedaço oculto que continua impondo o medo a uma nação que quer virar uma das páginas mais cruéis de sua História. É esta porção que sobrevivia nos porões submersos – negados pelo próprio regime militar – que boicota, aterroriza e confunde o brasileiro chamando de revanchismo o sagrado Direito à Memória e à Verdade. É este pequeno grupo que faz – em causa própria – a anistia ser sinônimo absurdo de amnésia. Eis porque é importante lembrar do Golpe Militar de 1964, pois o dia 31 de março jamais deve ser esquecido, para que nunca seja repetido.

Congresso em Foco

Biólogo mostra importância da preservação dos anfíbios para o meio ambiente


Os anfíbios, cuja preservação é fundamental para o equilíbrio do ecossistema, foram o tema da palestra proferida pelo biólogo Sérgio Rangel, na tarde desta sexta-feira (30), dentro da programação do 36° Congresso da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil.

Na palestra intitulada “Anfíbios: manejo em cativeiro e estratégias utilizadas para uma melhor manutenção e reprodução das espécies criadas no Brasil”, o biólogo mostrou aos estudantes e profissionais a importância da criação e reprodução dessas espécies para o meio ambiente. Utilizando fotografias, o biólogo mostrou entre 60 e 70 espécies existentes no planeta. “A intenção é estimular a criação e reprodução dessas espécies. Eu dei alguns truques para eles (congressistas), porque os anfíbios são fundamentais para a natureza”, declarou Sérgio Rangel.

A estudante de Biologia da Universidade Federal do Pará, Maynara Pimenta, disse que não tinha muito conhecimento sobre essas espécies, por isso se interessou pela palestra. “Como eu não conhecia muito, mas me interesso pelo tema e resolvi participar desse debate. O legal é que ele trouxe imagens variadas de animais dessa espécie”, contou a estudante.
Texto:
Isa Arnour -Pará 2000

Patrimônio histórico de Fordlândia será melhor fiscalizado, diz prefeitura


A administração da vila de Fordlândia, em Aveiro (PA), deve notificar imediatamente a prefeitura em caso de depredação dos prédios históricos do local, determinou o prefeito Ranilson Araújo do Prado. A portaria com novos critérios para a fiscalização dos prédios foi comunicada esta semana ao Ministério Público Federal (MPF), autor da recomendação que alertou o município para a necessidade de atuar com mais rigor contra a destruição do patrimônio histórico.
A prefeitura determinou à administração da vila de Fordlândia especial atenção com o antigo hospital local, o galpão do trapiche e as casas da vila Americana, localizada em Fordlândia.  A vila de Fordlândia foi construída nos anos 30 por iniciativa do fundador da Ford Motors, Henry Ford, que tinha o projeto de transformar a Amazônia em um grande centro de produção de borracha para suprir o mercado americano.
Fordlândia chegou a ter fábricas, restaurantes, praças, cinemas, dormitórios e funcionários, mas a iniciativa não deu certo.  Apesar de a importância desse conjunto urbano ser tanta que está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e de o município de Aveiro ter se comprometido a preservá-lo, assinando acordo com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas, o MPF recebeu denúncias de que a prefeitura estaria sendo negligente com a preservação dos prédios.
Essas denúncias levaram o procurador da República Marcel Brugnera Mesquita a encaminhar recomendação ao prefeito de Aveiro estabelecendo prazo de 30 dias para que o município adotasse medidas de preservação determinadas pelo Iphan. 
Saiba mais - O historiador Greg Grandin, professor de história da América Latina na Universidade de Nova York, narrou a história de Fordlândia no livro "Fordlândia - Ascensão e Queda da Cidade Esquecida de Henry Ford na Selva", obra finalista na categoria história do prêmio Pulitzer de 2010, incluída entre os cem livros notáveis do ano no ranking do jornal The New York Times, e eleita o melhor livro do ano pelos jornais Chicago Tribune e Boston Globe. 
Também em 2010, a edição 45 da revista Piauí publicou artigo de Gradin em que o autor apresenta alguns episódios dessa história.  Veja alguns trechos:
"A revolta começou numa segunda-feira. Naquela noite, James Kennedy telegrafou para Juan Trippe, o lendário fundador da Pan American Airways, em Nova York, para lhe contar que Fordlândia estava 'sob o domínio da plebe'. Trippe havia aberto uma linha entre Belém e Manaus, com uma escala em Santarém, e Kennedy perguntou se um dos aviões poderia transportá-lo até a plantação com alguns soldados. Se não partissem logo, alertou Kennedy, 'em 24 horas o lugar seria uma ruína completa'. Trippe concordou imediatamente.
[…] Uma delegação escolhida pelos funcionários recebeu o tenente com uma lista de exigências à empresa. A primeira delas era a demissão de Ostenfeld. As outras estavam ligadas ao direito de livre circulação. Os trabalhadores exigiam comer o que quisessem e onde quisessem. Estavam cansados de comer pão de trigo integral e arroz integral 'por motivos de saúde', segundo as instruções de Henry Ford. Queriam frequentar os bares e restaurantes que surgiram em torno da plantação e entrar em embarcações, supostamente para comprar bebidas, sem precisar pedir permissão. Os solteiros reclamavam das acomodações: cinquenta deles amontoados em um dormitório".
A íntegra do artigo de Greg Grandim está no site da Piauí (acesse aqui).



Ministério Público Federal no Pará
Assessoria de Comunicação

Blog da Professora Edilza Fontes - Nota de esclarecimento


Blog da Professora Edilza Fontes
Nota de esclarecimento


Na quinta, dia 28, estivemos o blog contaminado por um “MALWARE”, que é um Software malicioso. A contaminação deu-se em virtude de um link de 2010, que tratava do projeto Alvorada -  http://edilzafontes.blogspot.com/2010/10/mais-sobre-o-projeto-alvorada.html - Link possui diversas referencias que redirecionavam para outras informações sobre o projeto, uma destas referencia foi contaminada, o que desencadeou uma “cascata” o todos os site e blog’s que utilizavam as referencias.   Já retiramos a postagem do ar e problema foi resolvido.

Fizemos a solicitação de revisão ao Google para a retirada do aviso de “MALWARE”. Abaixo está a solicitação de revisão.

A revisão pode demorar algumas semanas. Então estaremos publicando as nossas postagens no seguinte endereço - http://professoraedilzafontes.blogspot.com.br/. Até a revisão do Google.

Esperamos sua visita no novo endereço.

Pedido de reconsideração para http://edilzafontes.blogspot.com/
28 de março de 2012

Recebemos um pedido de um proprietário de site para reconsiderar como índice, o seguinte site: http://edilzafontes.blogspot.com/

Vamos rever o site. Se acharmos que ele não é mais uma violação de nossas diretrizes do webmaster, vamos reconsiderar nossa indexação do site. Aguarde algumas semanas para o pedido de reconsideração. Analisamos todas as solicitações, mas infelizmente não podemos responder individualmente a cada solicitação.

Ps: Peço a substituição dos link’s nos blogs amigos

Blog da Professora Edilza Fontes - Nota de esclarecimento


Peço ajuda na divulgação do novo link do BLOG

Blog da Professora Edilza Fontes
Nota de esclarecimento


Na quinta, dia 28, estivemos o blog contaminado por um “MALWARE”, que é um Software malicioso. A contaminação deu-se em virtude de um link de 2010, que tratava do projeto Alvorada -  http://edilzafontes.blogspot.com/2010/10/mais-sobre-o-projeto-alvorada.html - Link possui diversas referencias que redirecionavam para outras informações sobre o projeto, uma destas referencia foi contaminada, o que desencadeou uma “cascata” o todos os site e blog’s que utilizavam as referencias.   Já retiramos a postagem do ar e problema foi resolvido.

Fizemos a solicitação de revisão ao Google para a retirada do aviso de “MALWARE”. Abaixo está a solicitação de revisão.

A revisão pode demorar algumas semanas. Então estaremos publicando as nossas postagens no seguinte endereço - http://professoraedilzafontes.blogspot.com.br/. Até a revisão do Google.

Esperamos sua visita no novo endereço.

Pedido de reconsideração para http://edilzafontes.blogspot.com/
28 de março de 2012

Recebemos um pedido de um proprietário de site para reconsiderar como índice, o seguinte site: http://edilzafontes.blogspot.com/

Vamos rever o site. Se acharmos que ele não é mais uma violação de nossas diretrizes do webmaster, vamos reconsiderar nossa indexação do site. Aguarde algumas semanas para o pedido de reconsideração. Analisamos todas as solicitações, mas infelizmente não podemos responder individualmente a cada solicitação.

Ps: Peço a substituição dos link’s nos blogs amigos

Duciomar - um hábil negociador

O prefeito Duciomar Costa saí da negociação com o governador, como vitorioso. 

O prefeito da capital demonstrou, que havia a possibilidade de integração entre os dois projetos (Ação Metrópole e BRT), mas precisou de uma intervenção federal - do representante da Casa Civil - para que as negociações fossem feitas. Na imagem do governador Jatene, ficou o tom de intransigencia. Foi a primeira vez que Jatene tem que lidar diretamente com uma negociação com o prefeito da capital e diante do governo federal. É verdade que o prefeito Duciomar tentou negociar antes, como também e verdade que os outros prefeitos da RMB, só assinaram em baixo. Duciomar se mobilizou e se articulou para exigir uma parceria, e modificações no projeto do governo do estado.

Alguns dizem que o prefeito Duciomar, na verdade queria as concessões para exploração dos serviço, de qualquer maneira, o prefeito de Belém demonstrou que Jatene tem que negociar, ele não está mais no tempo do governo FHC.

Nestas negociações todas, quem ganhou foi Belém, o governo o estado, a prefeitura e o governo federal estão propondo uma série de serviços de ampliação de obras, que vão melhorar e muito o trânsito da RMB. Seria bom se este esforço fosse feito também para resolver a questão dos resíduos sólidos.


Duciomar - um hábil negociador


O prefeito Duciomar Costa saí da negociação com o governador, como vitorioso. 

O prefeito da capital demonstrou, que havia a possibilidade de integração entre os dois projetos (Ação Metrópole e BRT), mas precisou de uma intervenção federal - do representante da Casa Civil - para que as negociações fossem feitas. Na imagem do governador Jatene, ficou o tom de intransigencia. Foi a primeira vez que Jatene tem que lidar diretamente com uma negociação com o prefeito da capital e diante do governo federal. É verdade que o prefeito Duciomar tentou negociar antes, como também e verdade que os outros prefeitos da RMB, só assinaram em baixo. Duciomar se mobilizou e se articulou para exigir uma parceria, e modificações no projeto do governo do estado.

Alguns dizem que o prefeito Duciomar, na verdade queria as concessões para exploração dos serviço, de qualquer maneira, o prefeito de Belém demonstrou que Jatene tem que negociar, ele não está mais no tempo do governo FHC.

Nestas negociações todas, quem ganhou foi Belém, o governo o estado, a prefeitura e o governo federal estão propondo uma série de serviços de ampliação de obras, que vão melhorar e muito o trânsito da RMB. Seria bom se este esforço fosse feito também para resolver a questão dos resíduos sólidos.


A História do MST



Há 26 anos, em Cascavel (PR), centenas de trabalhadores rurais decidiram fundar um movimento social camponês, autônomo, que lutasse pela terra, pela Reforma Agrária e pelas transformações sociais necessárias para o nosso país. Eram posseiros, atingidos por barragens, migrantes, meeiros, parceiros, pequenos agricultores... Trabalhadores rurais sem terras, que estavam desprovidos do seu direito de produzir alimentos. Expulsos por um projeto autoritário para o campo brasileiro, capitaneado pela ditadura militar, que então cerceava direitos e liberdades de toda a sociedade. Um projeto que anunciava a “modernização” do campo quando, na verdade, estimulava o uso massivo de agrotóxicos e a mecanização, baseados em fartos (e exclusivos ao latifúndio) créditos rurais; ao mesmo tempo em que ampliavam o controle da agricultura nas mãos de grandes conglomerados agroindustriais.

Mas seria injusto dizer que começamos ali. A semente para o surgimento do MST talvez já estivesse lançada quando os primeiro indígenas levantaram-se contra a mercantilização e apropriação pelos invasores portugueses do que era comum e coletivo: a terra, bem da natureza. Como imaginar o Movimento Sem Terra hoje, sem o exemplo de Sepé Tiarajú e da comunidade Guarani em defesa de sua terra sem Males. Ou da resistência coletiva dos quilombos ou de Canudos? Da indignação organizada de Contestado? Como imaginar nosso movimento sem o aprendizado e a experiência das Ligas Camponesas ou do Movimento de Agricultores Sem Terra - Master. Por tudo isso, nos sentimos herdeiros e continuadores de suas lutas.

E somos também parte das lutas que nos forjaram no nosso nascimento. Do sindicalismo combativo, da liberdade política e das Diretas-Já em 1984, quando já em nosso primeiro Congresso afirmávamos que “Sem Reforma Agrária não há democracia”. E com este ímpeto, nos empenhamos também na construção da nova constituinte, aprovada em 1988, quando conquistamos, entre outras vitórias, os artigos 184 e 186, que garantem a desapropriação de terras que não cumpram sua função social.

Os lemas dos Congressos Nacionais do MST - realizados de cinco em cinco anos - refletem as elaborações coletivas, as lutas e projetos do Movimento. Refletem também o momento ao qual o nosso país está passando, e a situação da classe trabalhadora camponesa e seus desafios.
Desde cedo, conhecemos o atraso, a raiva e a violência do latifúndio. Uma ira que ceifou a vida de mais de mil trabalhadores e defensores da Reforma Agrária nos últimos dez anos. E assim, nos levaram valorosos companheiros e companheiras... Padre Josimo, Dorcelina Folador, Roseli Nunes, Fusquinha, Doutor, Oziel, Antônio Tavares...

Um latifúndio que não se envergonhou de aparecer publicamente e oficialmente como União Democrática Ruralista (UDR) defendendo a violência armada contra a Reforma Agrária e à todas e todos aqueles que lutavam por ela. Ao mesmo tempo em que fincava seus interesses no Congresso com a bancada ruralista.

Cedo, aprendemos também que os interesses do latifúndio encontravam nos aparatos do Estado suas melhores ferramentas de repressão ou omissão. Foi assim, com o I Plano Nacional de Reforma Agrária, no Governo Sarney, em que apenas 6% da meta de assentamentos foi cumprida - cerca de 90 mil famílias - ainda assim, graças à pressão das ocupações da terra. E quando não recorria à burocracia e à falta de vontade política para inviabilizar a Reforma Agrária, o Estado omitia-se ou estimulava a violência. Assim foram os anos de Fernando Collor na Presidência da República, com despejos violentos, assassinatos e prisões arbitrárias.

Nossa resposta estava na organização, na expansão do Movimento nacionalmente, no avanço na área de produção. Como dizia o lema de nosso II Congresso, em 1990, “Ocupar, Resistir e Produzir”.

Nestes piores momentos de repressão, desde os nossos primeiros acampamentos, é que conhecemos o valor da solidariedade. Expresso de forma organizada por meio das ações de sindicatos, partidos, da Comissão Pastoral da Terra ou muitas vezes anônima, nos gestos de milhares de apoiadores e simpatizantes de nossa luta. Como as cem mil pessoas que nos receberam em Brasília, na chegada da Marcha Nacional por Reforma Agrária, em 1997. Naquele momento, lembrávamos um ano do assassinato de dezenove companheiros em Eldorado de Carajás, no Pará. Crime que permanece impune até hoje.

Nos forjamos, portanto, dentro deste princípio de solidariedade. Compreendendo que a Reforma Agrária não é uma luta por benefícios apenas para os camponeses, mas uma forma de melhorar a vida dos que vivem nas cidades, com a redução do inchaço urbano e, principalmente, com a produção de alimentos sadios e acessíveis aos trabalhadores. Expressamos esta idéia em nosso III Congresso (1995), com a palavra de ordem “Reforma Agrária. Uma luta de todos”. E com estes lutadores e lutadoras do povo, compreendemos que a Reforma Agrária não poderia ser uma política isolada das demais transformações que o povo brasileiro necessita. Que era necessário construir um Projeto Popular para o Brasil. E que nossa contribuição para este país mais justo e soberano estava nas declarações do nosso Congresso seguinte, “Reforma Agrária. Por um Brasil sem Latifúndio” (2000).

Esta palavra de ordem estava materializada no outro Brasil que queremos construir no cotidiano. Está nas mais de 400 associações e cooperativas que trabalham de forma coletiva para produzir alimentos sem transgênicos e sem agrotóxicos. Estão nas 96 agroindústrias que melhoram a renda e as condições do trabalho no campo, mas também oferecem alimentos de qualidade e baixo preço nas cidades. Um outro país que construímos com 2 mil escolas públicas em acampamentos e assentamentos que garantem o acesso à educação à mais de 160 mil crianças e adolescentes Sem Terras ou que alfabetizaram 50 mil adultos e jovens nos últimos anos. Ou ainda, nos mais de 100 cursos de graduação em parceria com universidades por todo o Brasil.
O país que queremos construir para todos já está presente hoje, quando podemos nos orgulhar em dizer que nenhuma criança passa fome nos assentamentos de Reforma Agrária. Uma realidade para 350 mil famílias que conquistaram a terra e resgataram sua dignidade ao longo destes 25 anos.

É certo que já fizemos muito. Mas, outros desafios que sequer sonhávamos em enfrentar se colocam à nossa frente. A agricultura sofreu mudanças drásticas com os oito anos de neoliberalismo do governo Fernando Henrique Cardoso. E pouco desta lógica foi alterada com o governo Lula. Os mecanismos do Estado para a agricultura foram sendo desmantelados um a um: o controle dos preços, o abastecimento, a pesquisa, a assistência técnica. Se antes eles eram acessíveis à poucos, hoje sequer existem. O neoliberalismo na agricultura foi abrindo caminho para que poucas empresas estrangeiras - todas pertencentes aos bancos estrangeiros -, passassem a controlar nossa agricultura. Desde as sementes à comercialização. Incorporaram terras, agroindústrias, supermercados... Definem preços de alimentos nas bolsas de valores e transformam novamente nosso país em uma grande colônia.

No lugar de alimentos, as terras passam ser ocupadas pela cana-de-açúcar - para combustível nos Estados Unidos, por soja - para ração de animais na Europa e pela celulose - para papel em todo o mundo. As monoculturas tomam e redividem nosso território, inflam o preço da terra, reduzem a produção de alimentos e geram uma grande crise mundial de alimentação.

Um cenário que se repete – sem mudarem as empresas, apenas as monoculturas – nos cinco continentes. Expulsando camponeses e afetando o abastecimento de alimentos para os trabalhadores nas cidades.

Assim, a luta por Reforma Agrária foi se tornando cada vez mais internacional, porque os empecilhos para a democratização do acesso à terra não estavam apenas no Brasil – no Estado ou nas ações dos latifundiários – mas eram também parte dos movimentos do capital financeiro internacional. E a resposta à globalização da miséria, veio na forma da globalização da luta, por meio da Via Campesina, que congrega os movimentos camponeses de todo mundo em torno da Reforma Agrária e da soberania alimentar, ou seja, do direito de que os povos – e não os mercados - decidam o que produzir e possam garantir a alimentação de todos.

Assim, aquele latifundiário improdutivo se associou com o capital financeiro internacional. Mas não perdeu sua natureza violenta e opressora. Esta natureza se manifestou, por exemplo, quando milícias da empresa suíça Syngenta Seeds assassinaram Valmir Motta, o Keno, no Paraná. Keno e tantas outras famílias denunciavam a contaminação transgênica do Parque Nacional do Iguaçu e queriam construir ali, uma área de produção agroecológica. E também quando as mulheres da Via Campesina foram reprimidas quando denunciaram a monocultura da celulose no sul do país. Violência que indígenas, quilombolas e sem terras testemunham diariamente pelas mãos da Vale do Rio Doce em suas comunidades, destruindo o meio ambiente de forma acelerada para remeter mais lucros para as bolsas no hemisfério norte.

Para finalmente realizarmos uma Reforma Agrária verdadeira em nosso país, é preciso agora enfrentar o agronegócio e os interesses do capital internacional. Realizar a Reforma Agrária que defendemos é libertar estas terras para produzir alimentos, é criar condições dignas de vida no campo e na cidade, é construir uma sociedade em que o nosso povo tome seu destino pelas mãos e decida o seu caminho. E é por isso que nosso V Congresso afirma que lutamos por “Reforma Agrária, por Justiça Social e Soberania Popular”

Completar 26 anos e se tornar o mais antigo movimento camponês já existente na História do Brasil tem estes significados. É reafirmar os valores de solidariedade; é reafirmar o compromisso com uma sociedade mais justa e igualitária; é manter aceso o legado de milhares de lutadores e lutadoras do povo; é exercer cotidianamente a capacidade de se indignar e agir para transformar; é não perder o valor do estudo e aprender sempre. E, fundamentalmente, é reafirmar nosso compromisso em organizar os pobres do campo.

É momento de olhar adiante. De perceber que muito já foi feito e que há muito a se fazer, até que uma verdadeira e efetiva Reforma Agrária seja realizada em nosso país e que todos os seres humanos possam ter uma vida digna.

A HISTÓRIA DO MST



26 anos do Movimento Sem Terra

Há 26 anos, em Cascavel (PR), centenas de trabalhadores rurais decidiram fundar um movimento social camponês, autônomo, que lutasse pela terra, pela Reforma Agrária e pelas transformações sociais necessárias para o nosso país. Eram posseiros, atingidos por barragens, migrantes, meeiros, parceiros, pequenos agricultores... Trabalhadores rurais sem terras, que estavam desprovidos do seu direito de produzir alimentos. Expulsos por um projeto autoritário para o campo brasileiro, capitaneado pela ditadura militar, que então cerceava direitos e liberdades de toda a sociedade. Um projeto que anunciava a “modernização” do campo quando, na verdade, estimulava o uso massivo de agrotóxicos e a mecanização, baseados em fartos (e exclusivos ao latifúndio) créditos rurais; ao mesmo tempo em que ampliavam o controle da agricultura nas mãos de grandes conglomerados agroindustriais.

Mas seria injusto dizer que começamos ali. A semente para o surgimento do MST talvez já estivesse lançada quando os primeiro indígenas levantaram-se contra a mercantilização e apropriação pelos invasores portugueses do que era comum e coletivo: a terra, bem da natureza. Como imaginar o Movimento Sem Terra hoje, sem o exemplo de Sepé Tiarajú e da comunidade Guarani em defesa de sua terra sem Males. Ou da resistência coletiva dos quilombos ou de Canudos? Da indignação organizada de Contestado? Como imaginar nosso movimento sem o aprendizado e a experiência das Ligas Camponesas ou do Movimento de Agricultores Sem Terra - Master. Por tudo isso, nos sentimos herdeiros e continuadores de suas lutas.

E somos também parte das lutas que nos forjaram no nosso nascimento. Do sindicalismo combativo, da liberdade política e das Diretas-Já em 1984, quando já em nosso primeiro Congresso afirmávamos que “Sem Reforma Agrária não há democracia”. E com este ímpeto, nos empenhamos também na construção da nova constituinte, aprovada em 1988, quando conquistamos, entre outras vitórias, os artigos 184 e 186, que garantem a desapropriação de terras que não cumpram sua função social.

Os lemas dos Congressos Nacionais do MST - realizados de cinco em cinco anos - refletem as elaborações coletivas, as lutas e projetos do Movimento. Refletem também o momento ao qual o nosso país está passando, e a situação da classe trabalhadora camponesa e seus desafios.
Desde cedo, conhecemos o atraso, a raiva e a violência do latifúndio. Uma ira que ceifou a vida de mais de mil trabalhadores e defensores da Reforma Agrária nos últimos dez anos. E assim, nos levaram valorosos companheiros e companheiras... Padre Josimo, Dorcelina Folador, Roseli Nunes, Fusquinha, Doutor, Oziel, Antônio Tavares...

Um latifúndio que não se envergonhou de aparecer publicamente e oficialmente como União Democrática Ruralista (UDR) defendendo a violência armada contra a Reforma Agrária e à todas e todos aqueles que lutavam por ela. Ao mesmo tempo em que fincava seus interesses no Congresso com a bancada ruralista.

Cedo, aprendemos também que os interesses do latifúndio encontravam nos aparatos do Estado suas melhores ferramentas de repressão ou omissão. Foi assim, com o I Plano Nacional de Reforma Agrária, no Governo Sarney, em que apenas 6% da meta de assentamentos foi cumprida - cerca de 90 mil famílias - ainda assim, graças à pressão das ocupações da terra. E quando não recorria à burocracia e à falta de vontade política para inviabilizar a Reforma Agrária, o Estado omitia-se ou estimulava a violência. Assim foram os anos de Fernando Collor na Presidência da República, com despejos violentos, assassinatos e prisões arbitrárias.

Nossa resposta estava na organização, na expansão do Movimento nacionalmente, no avanço na área de produção. Como dizia o lema de nosso II Congresso, em 1990, “Ocupar, Resistir e Produzir”.

Nestes piores momentos de repressão, desde os nossos primeiros acampamentos, é que conhecemos o valor da solidariedade. Expresso de forma organizada por meio das ações de sindicatos, partidos, da Comissão Pastoral da Terra ou muitas vezes anônima, nos gestos de milhares de apoiadores e simpatizantes de nossa luta. Como as cem mil pessoas que nos receberam em Brasília, na chegada da Marcha Nacional por Reforma Agrária, em 1997. Naquele momento, lembrávamos um ano do assassinato de dezenove companheiros em Eldorado de Carajás, no Pará. Crime que permanece impune até hoje.

Nos forjamos, portanto, dentro deste princípio de solidariedade. Compreendendo que a Reforma Agrária não é uma luta por benefícios apenas para os camponeses, mas uma forma de melhorar a vida dos que vivem nas cidades, com a redução do inchaço urbano e, principalmente, com a produção de alimentos sadios e acessíveis aos trabalhadores. Expressamos esta idéia em nosso III Congresso (1995), com a palavra de ordem “Reforma Agrária. Uma luta de todos”. E com estes lutadores e lutadoras do povo, compreendemos que a Reforma Agrária não poderia ser uma política isolada das demais transformações que o povo brasileiro necessita. Que era necessário construir um Projeto Popular para o Brasil. E que nossa contribuição para este país mais justo e soberano estava nas declarações do nosso Congresso seguinte, “Reforma Agrária. Por um Brasil sem Latifúndio” (2000).

Esta palavra de ordem estava materializada no outro Brasil que queremos construir no cotidiano. Está nas mais de 400 associações e cooperativas que trabalham de forma coletiva para produzir alimentos sem transgênicos e sem agrotóxicos. Estão nas 96 agroindústrias que melhoram a renda e as condições do trabalho no campo, mas também oferecem alimentos de qualidade e baixo preço nas cidades. Um outro país que construímos com 2 mil escolas públicas em acampamentos e assentamentos que garantem o acesso à educação à mais de 160 mil crianças e adolescentes Sem Terras ou que alfabetizaram 50 mil adultos e jovens nos últimos anos. Ou ainda, nos mais de 100 cursos de graduação em parceria com universidades por todo o Brasil.
O país que queremos construir para todos já está presente hoje, quando podemos nos orgulhar em dizer que nenhuma criança passa fome nos assentamentos de Reforma Agrária. Uma realidade para 350 mil famílias que conquistaram a terra e resgataram sua dignidade ao longo destes 25 anos.

É certo que já fizemos muito. Mas, outros desafios que sequer sonhávamos em enfrentar se colocam à nossa frente. A agricultura sofreu mudanças drásticas com os oito anos de neoliberalismo do governo Fernando Henrique Cardoso. E pouco desta lógica foi alterada com o governo Lula. Os mecanismos do Estado para a agricultura foram sendo desmantelados um a um: o controle dos preços, o abastecimento, a pesquisa, a assistência técnica. Se antes eles eram acessíveis à poucos, hoje sequer existem. O neoliberalismo na agricultura foi abrindo caminho para que poucas empresas estrangeiras - todas pertencentes aos bancos estrangeiros -, passassem a controlar nossa agricultura. Desde as sementes à comercialização. Incorporaram terras, agroindústrias, supermercados... Definem preços de alimentos nas bolsas de valores e transformam novamente nosso país em uma grande colônia.

No lugar de alimentos, as terras passam ser ocupadas pela cana-de-açúcar - para combustível nos Estados Unidos, por soja - para ração de animais na Europa e pela celulose - para papel em todo o mundo. As monoculturas tomam e redividem nosso território, inflam o preço da terra, reduzem a produção de alimentos e geram uma grande crise mundial de alimentação.

Um cenário que se repete – sem mudarem as empresas, apenas as monoculturas – nos cinco continentes. Expulsando camponeses e afetando o abastecimento de alimentos para os trabalhadores nas cidades.

Assim, a luta por Reforma Agrária foi se tornando cada vez mais internacional, porque os empecilhos para a democratização do acesso à terra não estavam apenas no Brasil – no Estado ou nas ações dos latifundiários – mas eram também parte dos movimentos do capital financeiro internacional. E a resposta à globalização da miséria, veio na forma da globalização da luta, por meio da Via Campesina, que congrega os movimentos camponeses de todo mundo em torno da Reforma Agrária e da soberania alimentar, ou seja, do direito de que os povos – e não os mercados - decidam o que produzir e possam garantir a alimentação de todos.

Assim, aquele latifundiário improdutivo se associou com o capital financeiro internacional. Mas não perdeu sua natureza violenta e opressora. Esta natureza se manifestou, por exemplo, quando milícias da empresa suíça Syngenta Seeds assassinaram Valmir Motta, o Keno, no Paraná. Keno e tantas outras famílias denunciavam a contaminação transgênica do Parque Nacional do Iguaçu e queriam construir ali, uma área de produção agroecológica. E também quando as mulheres da Via Campesina foram reprimidas quando denunciaram a monocultura da celulose no sul do país. Violência que indígenas, quilombolas e sem terras testemunham diariamente pelas mãos da Vale do Rio Doce em suas comunidades, destruindo o meio ambiente de forma acelerada para remeter mais lucros para as bolsas no hemisfério norte.

Para finalmente realizarmos uma Reforma Agrária verdadeira em nosso país, é preciso agora enfrentar o agronegócio e os interesses do capital internacional. Realizar a Reforma Agrária que defendemos é libertar estas terras para produzir alimentos, é criar condições dignas de vida no campo e na cidade, é construir uma sociedade em que o nosso povo tome seu destino pelas mãos e decida o seu caminho. E é por isso que nosso V Congresso afirma que lutamos por “Reforma Agrária, por Justiça Social e Soberania Popular”

Completar 26 anos e se tornar o mais antigo movimento camponês já existente na História do Brasil tem estes significados. É reafirmar os valores de solidariedade; é reafirmar o compromisso com uma sociedade mais justa e igualitária; é manter aceso o legado de milhares de lutadores e lutadoras do povo; é exercer cotidianamente a capacidade de se indignar e agir para transformar; é não perder o valor do estudo e aprender sempre. E, fundamentalmente, é reafirmar nosso compromisso em organizar os pobres do campo.

É momento de olhar adiante. De perceber que muito já foi feito e que há muito a se fazer, até que uma verdadeira e efetiva Reforma Agrária seja realizada em nosso país e que todos os seres humanos possam ter uma vida digna.

Dificuldades técnicas e novo endereço

No dia de ontem, por volta as 14h, o nosso blog sofreu uma dificuldade técnica, um link, vinculado a uma  postagem de 2010 foi corrompido, por um Malware. Já resolvemos o problema e o blog está limpo. Porém o Google possui um sistema que demora alguns dias, mas você não vai ficar sem o nosso blog não.

Por enquanto estaremos no endereço -

  professoraedilzafontes.blogspot.com.br.  


Famílias do Portal da Amazônia protestam em Belém

Moradores atingidos pelas obras do Portal da Amazônia estão realizando uma manifestação na manhã desta quinta-feira (29), em frente ao prédio da Caixa Econômica Federal, na travessa Padre Eutíquio, em Belém (PA), cobrando respostas sobre o repasse de verbas destinadas ao projeto, que é desenvolvido pela Prefeitura de Belém e integra as ações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do Governo Federal.

“Já fechamos a rua, mas agora está liberada, pois conseguimos que uma comissão de moradores fosse recebida por um representante da Caixa e um da prefeitura. A reunião deve começar por volta de 12h”, disse a moradora Angelita Gonçalves.

O projeto Portal da Amazônia é desenvolvido desde 2007 por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) e prevê a construção de uma avenida beira-rio pela orla do rio Guamá, em Belém.

380 famílias assinaram um termo junto à prefeitura e foram remanejadas para a construção de novas unidades habitacionais na área do Portal da Amazônia. No entanto, 255 famílias ainda não foram realocadas e reclamam da demora das obras de construção destas novas habitações. As famílias alegam que, com os remanejamentos, tiveram que alugar moradias e recebem apenas o valor de R$ 450 reais para auxílio no pagamento do aluguel.  No termo, a prefeitura teria dado o prazo de um ano para entregas as moradias.

“Eu saí da minha casa há três anos e até agora os apartamentos que foram prometidos não estão prontos. Na verdade, o terreno onde ficavam as nossas casas está vazio, não tem nenhuma obra lá. Nós recebemos R$ 900 de ajuda para dois meses de aluguel, sendo que eu pago R$ 500 por mês e a cada ano que passa tem reajuste no preço. Sendo que na minha casa eu não pagava aluguel”, disse a moradora Francisca dos Santos.

A moradora Angelita explica que a prefeitura estaria justificando a demora na construção das moradias, alegando que a Caixa Econômica não estaria repassando a verba do Governo Federal. “Nós queremos saber de quem é a responsabilidade e questionar a Caixa, porque esse dinheiro não está indo para a prefeitura, se ele está bloqueado”, disse.

Através de sua assessoria, a Prefeitura de Belém informou que, no acordo com as famílias atingidas pelo Programa Municipal de Macrodrenagem da Bacia da Estrada Nova (Promaben), onde futuramente irá funcionar o Portal da Amazônia, são oferecidas as unidades habitacionais ou a indenização pela moradia da qual foram remanejados. O processo de ocupação das novas unidades habitacionais está ocorrendo gradativamente, em acordo com as famílias e cada caso está sendo estudado de forma individual.

A Diretora do Núcleo de Imprensa da Prefeitura, Ieda Ferreira, esclareceu que a demora no remanejamento das famílias, tanto do Portal da Amazônia, quanto da macrodrenagem da Estrada Nova, é por causa do processo de análise dos casos, que é lento.

“Temos uma equipe que analisa caso por caso, já que as famílias podem escolher se querem ser remanejadas ou receber indenização. Em seguida é feita uma visita na casa dessas pessoas e um cadastro. 700 famílias optaram pela indenização”, explicou.

No final do projeto, mil unidades habitacionais serão construídas. Dessas, 300 estão em fase de acabamento e 100 estão prontas. Essas residências ficarão em três condomínios ao longo da Bernardo Sayão. (DOL)

Millôr Fernandes morre aos 88 anos

O escritor, dramaturgo, desenhista e humorista Millôr Fernandes morreu na terça-feira (27), aos 88 anos, de falência múltipla dos órgãos. Millôr morreu em casa, no Rio de Janeiro. O velório será realizado na quinta-feira, às 10h, no cemitério Memorial do Carmo, zona portuária do Rio. Ele era casado com Wanda Rubino Fernandes, e deixa dois filhos e um neto.

Autoditada, Millôr vendeu seu primeiro desenho aos dez anos de idade, para a publicação “O Jornal do Rio de Janeiro”. Em 1938, começou a trabalhar como repaginador, factótum e contínuo na revista “O Cruzeiro”, aos 14 anos. Ao longo de sua carreira, Millôr também se destacou como tradutor, jornalista e autor de teatro. No final dos anos 1960, tornou-se um dos fundadores do jornal "O Pasquim", reconhecido por seu papel de oposição ao regime militar.

Blogger Template Mais Template - Author: Papo De Garota